Quimioprevenção: como baixas doses de tamoxifeno e exemestano podem reduzir o risco

Durante a ASCO 2025, um dos congressos mais importantes de oncologia do mundo, uma das sessões educacionais mais comentadas trouxe um tema que pode mudar a prática clínica: a possibilidade de reduzir o risco de câncer de mama com o uso de medicamentos em doses mais baixas e com menos efeitos colaterais.

Essa estratégia, chamada de quimioprevenção, já é conhecida há anos com o uso do tamoxifeno, mas os novos dados reforçam que versões em baixa dose podem ser igualmente eficazes, aumentando a adesão das pacientes e reduzindo toxicidade.

Tamoxifeno em baixa dose: o que já sabemos?

O tamoxifeno é uma das drogas mais estudadas e utilizadas tanto no tratamento quanto na prevenção do câncer de mama receptor hormonal positivo. Estudos recentes mostraram que o uso de 5 mg por dia ou 10 mg em dias alternados pode reduzir em até 40% o risco de desenvolver câncer de mama em mulheres com alto risco ou naquelas com histórico de carcinoma ductal in situ (CDIS) receptor de estrogênio positivo.

A grande vantagem dessa abordagem é a redução dos efeitos adversos, como sintomas vasomotores, risco de trombose e alterações endometriais, que costumam impactar na adesão das pacientes quando a dose convencional é utilizada.

Não à toa, essa estratégia já aparece em diretrizes internacionais, como as da ASCO e do NCCN, como uma opção segura e eficaz.

Exemestano em baixa dose: uma nova fronteira

Outro destaque da sessão foi o exemestano, um inibidor de aromatase. Dados de biomarcadores mostraram que a dose de 3 vezes por semana foi não inferior à dose diária na prevenção de câncer de mama em mulheres de alto risco.

Essa descoberta abre caminho para um regime preventivo ainda mais tolerável, com potencial de aumentar a adesão das pacientes a longo prazo.

O estudo Baby Tears

Atualmente, está em andamento o estudo Baby Tears, um ensaio randomizado que compara diretamente baixa dose de tamoxifeno com baixa dose de exemestano, avaliando qualidade de vida, adesão e eficácia. Esse será um estudo-chave para entender qual dessas estratégias pode se consolidar como padrão de prevenção para mulheres de alto risco.

O que isso significa na prática?

A quimioprevenção é uma estratégia ainda pouco utilizada no Brasil, mas pode representar uma mudança de paradigma: oferecer às mulheres com risco aumentado de câncer de mama uma alternativa segura e eficaz para reduzir as chances de desenvolver a doença.

A possibilidade de usar doses menores, com eficácia comprovada e menos efeitos colaterais, pode ser o diferencial para ampliar o acesso e a aceitação desse tipo de prevenção.

Conclusão

As evidências apresentadas na ASCO 2025 reforçam que a prevenção do câncer de mama pode estar prestes a entrar em uma nova era, com medicamentos tradicionais sendo usados de forma mais inteligente e personalizada.

Enquanto aguardamos os resultados de outros estudos como o Baby Tears, já podemos afirmar: menos pode ser mais.

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